Réseau Syndical International de Solidarité et de Luttes


dimanche, 20 août 2017

 
 

 

| Alemanha | Conferência funda a Coordenação Internacional dos Trabalhadores da Indústria Automobilística

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A necessidade de unificar a intervenção das organizações classistas foi o objetivo principal da convocação da 1ª Conferencia Internacional dos Trabalhadores do Setor Automotivo que aconteceu de 14 a 18 últimos na cidade de Sindelfinger na Alemanha.

Entre as principais resoluções e como pontapé inicial de campanhas unificadas haverá uma Jornada de Luta Internacional no período de 28 de abril (Dia Mundial de Lutas contra os Acidentes no Trabalho) a 1º de Maio, retomando o caráter de luta deste dia. Na semana, as diversas organizações realizarão atividades em seus países.

Também foi aprovado por unanimidade, com debates prévios, um manifesto inicial da Coordenação Internacional dos Trabalhadores Automotivos e os princípios gerais dessa organização.

Entres eles, o primeiro princípio : “A Coordenação Internacional de Trabalhadores do Setor Automotivo é um movimento militante constituído por pessoas, iniciativas, organizações, sindicatos ou unidades de circulação dos trabalhadores automotivo e amigos para a união mundial dos operários e trabalhadores da indústria automotiva e fornecedora dos setor. Se reunirá periodicamente na Conferência Internacional dos Trabalhadores do Setor com seus quatro pilares (Assembléia de delegadas com poder de decisão, fóruns internacionais, fóruns e grupos temáticos, programas culturais e atividades de massas).

No manifesto consta o apoio de uns aos outros por meio de ações de solidariedade e protestos, o incentivo de greves de solidariedade, campanhas de solidariedade e de dias de ação de solidariedade coordenada internacionalmente. “Portanto, construir estruturas de coordenação nacional, regional e continental não compete de forma alguma, muito menos tenta substituir os sindicatos ou partidos operários, mas promove-os e complementa-os”, reafirma o documento.

Todas as organizações que concordarem com a proposta estão convidadas a fortalecer essas fileiras e uma alternativa classista dos trabalhadores do setor. Foi eleito o Grupo Internacional Coordenador (ICOG) com representação da Alemanha, Brasil, Espanha, África do Sul, Colômbia e Itália. Este grupo organizará as atividades de solidariedade, a jornada de lutas e 2ª Conferencia em 2019. A CSP-Conlutas, a CGT espanhola e o grupo alemão serão os organizadores.

A demissão de dirigentes sindicais do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (CSP-Conlutas) foi denunciada e o encontro exigiu a reintegração dos ativistas e organizará uma campanha internacional. Outras moções foram aprovadas – contra o fechamento de fábrica da GM na Índia, de apoio às greves da Turquia, exigindo liberdade aos presos políticos do Iran e pela retirada das tropas do Haiti.

Em meio as lutas

Esta conferencia refletiu as diversas lutas que ocorrem neste momento pelo mundo no setor. A delegação da Turquia é parte de um grande processo de mobilização, que ocorre no país, com greves, ocupações de fabricas, e foi apoiada por todos. Na índia, a GM está com plano de fechamento de uma planta e enfrenta forte resistência, com a presença do sindicato daquele país, um processo de mobilização semelhante a que aconteceu em Bochum, cidade alemã, em 2013 e 2014.

Na tarde de sexta feira foi realizada uma manifestação com cerca de 500 trabalhadores e delegações de vários países no centro da cidade de Sindelfingen e com passagem na frente da enorme planta da Mercedes Benz. A manifestação teve apoio dos moradores da pequena cidade que só conheceu grandes mobilizações operárias na década de 80. Sindelfinger, próxima a Stuttgart, conta com uma população de 60 mil habitantes e a grande maioria é operária, da indústria automobilística. A Mercedes tem 35 mil trabalhadores e a Bosch tem 12 mil, apenas neste município que vive em torno dessa indústria.

Programação

A plenária de delegados iniciou com a apresentação de representantes das três entidades organizadoras da conferência. Joern Kleffer, da Alemanha ; Jesus Armêndariz, da CGT, da Espanha ; e Luis Carlos Prates, o Mancha, da CSP-Conlutas, do Brasil. Os três fizeram um balanço das atividades do grupo de coordenação no último período, apresentando a situação do setor no momento atual, com destaque para a renovação dos contratos de trabalho das maiores empresas do setor nos EUA , onde havia sido rejeitada a proposta apresentada pela burocracia. Foi apresentado ainda o balanço financeiro, colocado em votação, com a aprovação dos delegados. Foi aprovado também o regimento da conferência.

Um dos momentos mais emocionantes na abertura foi uma homenagem prestada pelos delgados ao companheiro Dirceu Travesso, o Didi, da CSP-Conlutas, que sempre foi um dos impulsionadores da organização internacional dos trabalhadores da qual este projeto é parte.

Uma segunda plenária foi realizada com informes da situação da indústria automobilística e das lutas dos trabalhadores nos diversos continentes, com posterior debate. Foram apresentados informes da Europa, África, América do Norte e Sul, Asia e Iran (apresentações em anexo).

Também foram organizados grupos de trabalho sobre diversos temas e abertos a participação. Alguns deles : a situação da saúde dos trabalhadores na indústria, poluição ambiental e no local de trabalho, repressão nos diversos países e na indústria de automotiva, movimento sindical, organização de base, unidade sindical, a questão dos imigrantes, a ditadura militar no Brasil e o papel da Volks, mulheres e reforma e revolução. Estes grupos foram realizados simultaneamente.

Em outro momento foram realizados fóruns de trabalhadores das empresas. O maior, da GM, reuniu dez países, e fez um balanço das atividades em comum onde se destacaram as diversas manifestações de solidariedade, as greves que aconteceram em São José dos Campos, a luta contra o fechamento da planta de Bochum, na Alemanha, que contou com diversas ações e a luta contra as demissões de lesionados na Colômbia que promoveu um acampamento na embaixada americana naquele país. Em todos esses fóruns foram indicados coordenadores que serão responsáveis por manter contatos e ter uma publicação periódica nas empresas. Foram realizados fóruns da Mercedes, Volks, Renaut, Peugeot , Ford e Bosch.

Delegações

Participaram delegações de 20 países (Alemanha, Brasil, Colombia, EUA, Venezuela, Espanha, Itália, França, Polônia, Rússia, República Tcheca, Ucrania, Turquia, Iran, Paquistão, África do Sul, Marrocos, Suécia, Índia).

A CSP-Conlutas foi representada por sete trabalhadores de montadoras e do setor de autopeças – seis de São José dos Campos e um de São Paulo. A delegação expressava as diversas greves que ocorreram contra as demissões e que fizeram com que várias empresas recuassem.

Da África do Sul compareceu uma representação do Numsa, tradicional Sindicato dos Metalúrgicos que rompeu com a orientação conciliadora da Cosatu, central sindical sul africana que apoia o governo do CNA (Congresso nacional Africano).

A 2ª Conferencia Internacional dos Trabalhadores do Setor Automotivo está agenda para 2019.

Luiz Carlos Prates (Mancha), da Secretaria Executiva Nacional CSP-Conlutas