Réseau Syndical International de Solidarité et de Luttes


mercredi, 28 juin 2017

 
 

 

| Brasil | Comunidade quilombola de Cruzeiro (MA) avança na luta por terra e justiça

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Reunião com comissão de Segurança Pública, Moquibom, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e CSP-Conlutas garante importantes encaminhamentos aos quilombolas

No dia 30 de março, um quilombola do território Cruzeiro, no município de Palmeirândia (MA) foi assassinado por jagunços. Com mais esse tragédia anunciada, a comunidade exigiu reunião emergencial, com a Secretaria de Segurança Pública e outras pastas do governo, como a Secretaria de Direitos Humanos, a Secretaria de Igualdade Racial, além de representantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Maranhão e ativistas da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Moquibom e da CSP-Conlutas.

Desta conversa, a CSP-Conlutas destaca alguns importantes avanços para a luta quilombola na região, e para além da reunião, uma vitória que é resultado da pressão do movimento e da comunidade como um todo sobre o governo, que esteve presente no local, no dia seguinte, dia do velório do quilombola conhecido como Zé Sapo.

Segundo a CSP-Conlutas, quando representantes da entidade chegaram ao velório por volta das 10h, já estavam ali também “várias viaturas próximas do local marcado para a reunião acontecer. A comitiva da SSP/MA chegou em um helicóptero fazendo um sobrevoo no município, na tentativa de intimidar os jagunços”.

A CSP-Conlutas relatou também que durante a reunião com a SSP/MA o vereador Paulo Miguel (PDT) e o prefeito de Palmeirândia tentaram intervir e fizeram um convite para outra reunião com eles e pessoas da comunidade que os mesmos incitam a se posicionarem contra os quilombolas. O secretário da pasta não aceitou participar e pediu que ambos se retirassem do local, então, o movimento exigiu a permanência de um agrupamento do GOE e da Força Tática durante aquele fim de semana, “para evitar novos ataques aos quilombolas, sobretudo depois da negativa do Secretário ao prefeito e ao vereador e o clima de beligerância no município”. Ao final da reunião, dentre os encaminhamentos decididos, a comunidade reivindicou que todos os policiais civis e militares, “que estão atuando como “capangas” do fazendeiro Gentil Gomes fossem afastados da região a partir daquele momento e que fossem abertos processos contra os mesmos enquanto servidores públicos e policiais (sindicância e corregedoria)”, que os responsáveis pelo crime fossem imediatamente presos, que seja implementada uma delegacia especial para resoluções de conflitos na região, indenizações e programas de proteção aos quilombolas ameaçados.

A região do território Cruzeiro é uma das mais tensas no Maranhão, estado que tem o registro alarmante de mais de 140 mortes de quilombolas, indígenas e camponeses nas últimas duas décadas.

Ações do movimento quilombola
O Moquibom pretende organizar junto com o Movimento Negro, sobretudo o Quilombo Raça e Classe, Quilombo Urbano e CPT, projetos de formação sobre a questão racial no interior das escolas do município que hoje funcionam como espaço de criminalização dos quilombolas.