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Lunes, 11 de diciembre de 2017

 
 

 

| Brasil | Empresa americana Eaton demite e persegue trabalhadores

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A Corporação Eaton orgulha-se em dizer que segue princípios éticos apontados como prioritários em sua maneira de fazer negócios e se relacionar com funcionários e parceiros externos. Mas não é essa postura que a população do Vale do Paraíba (São Paulo, Brasil) assistiu no dia 29 de setembro de 2015, quando a Eaton convocou a Polícia Militar para reprimir os trabalhadores e acabar com a greve deflagrada pela Campanha Salarial.

A fábrica Eaton em São José dos Campos produz válvulas para a indústria automotiva brasileira, americana e europeia e possui cerca de 400 funcionários. Tem entre seus clientes as principais montadoras do mundo. A unidade faz parte da gigante multinacional Eaton, do setor de gerenciamento de energia, com clientes em 175 países e cerca de 100 mil trabalhadores em todo o mundo.

Neste relatório preparado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas, fica evidente que uma parte relevante do Código de Ética da própria Eaton não está sendo cumprida. Leia com atenção e descubra que, na verdade, o discurso não é colocado em prática.

Princípios defendidos, mas não cumpridos pela Eaton:

O que diz o código de ética da Eaton:
“Respeitamos e obedecemos as leis, regras e regulamentos aplicáveis aos nossos negócios no mundo todo”.

A verdade: repressão aos trabalhadores

Os trabalhadores entraram em greve no dia 29 de setembro de 2015 para pressionar as empresas de autopeças a rever sua proposta de reajuste salarial abaixo da inflação.

Numa tentativa de impedir a paralisação, a Eaton convocou a Polícia Militar (PM) para reprimir trabalhadores e dirigentes sindicais. Em determinado momento, dezessete carros e dez motos da polícia permaneceram em frente à fábrica, onde estava acontecendo a assembleia dos trabalhadores. Até mesmo um helicóptero da PM sobrevoou a fábrica durante a operação.

Soldados com armas de fogo e cassetetes arrancaram as faixas e bandeiras erguidas pelo Sindicato, jogaram spray de pimenta e agrediram fisicamente ativistas e sindicalistas.

O presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, foi agredido por um policial. Uma atitude que nos reporta aos anos mais duros da ditadura militar. Sindicato apresenta denúncia à Secretaria de Segurança Pública.

A gravidade dos fatos levou o Sindicato dos Metalúrgicos a encaminhar denúncia ao secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes, requerendo que a Corporação da Polícia Militar fosse advertida para que não repetisse a repressão ao movimento sindical e trabalhadores.

Demissão de ativistas

A repressão à organização sindical não acabou no dia 29. No dia 15 de outubro, ou seja, duas semanas após a greve, a Eaton abriu procedimento de “apuração de falta grave” contra os diretores sindicais Ivan Cardoso e Marcelo de Santana (Formiga), o que pode levá-los à demissão.

Mas um fato ocorrido no dia da greve reforça ainda mais a gravidade desses afastamentos: na delegacia de polícia onde foram registrados os acontecimentos durante a greve, os policiais militares tinham em mãos a ficha profissional (documentos internos da fábrica) dos trabalhadores Ivan Cardoso e Marcelo Formiga.

É impossível não se indignar com essa colaboração à repressão aos trabalhadores entre empresa e a Corporação da PM.

Lesionado demitido

A fábrica também demitiu o trabalhador lesionado Edson Marcondes (contrariando acordo trabalhista legal, que lhe garantia estabilidade no emprego). Esse trabalhador sempre participou das lutas por direitos na fábrica e já era alvo de perseguição pela Eaton antes mesmo desta greve.

Refeição gratuita para policiais fere Regulamento da PM

O relacionamento da Eaton com a Polícia Militar chama a atenção dos trabalhadores. Todos os dias, policiais almoçam gratuitamente no refeitório destinado aos funcionários da fábrica. Esse comportamento desrespeita a lei que disciplina a Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Repressão à organização dos trabalhadores se repete ano a ano na Eaton

Além da repressão policial e do assédio moral contra os trabalhadores, a empresa ainda recorreu a uma medida judicial criada na época da ditadura militar (interdito proibitório), para impedir as atividades do Sindicato.

Na Campanha Salarial de 2014, os trabalhadores e a organização sindical também sofreram repressão da empresa e da Polícia Militar, que foi convocada pela Eaton para forçar a entrada dos trabalhadores e impedir qualquer mobilização.

Nesses dois anos, a empresa entrou com ações de Interdito Proibitório contra o Sindicato. Ressalte-se que o interdito é um instrumento de proteção à propriedade e não deveria ser usado para proibir a livre manifestação dos trabalhadores.

Entidades procuram governador

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entidade federal que representa os advogados no país, pediu ao governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, uma reunião para discutir o direito de greve dos trabalhadores paulistas e a ação violenta da Polícia Militar durante as greves, inclusive contra os metalúrgicos da Eaton.

O que diz o código de ética da Eaton:
(...) Não toleramos assédio nem discriminação no local de trabalho”

A verdade: coação e ameaça de demissão

O assédio moral é realizado das mais diversas formas na fábrica da Eaton para aumentar ainda mais seu lucro. Uma delas é o Mural da Sucata, usado para expor o nome dos trabalhadores que produziram peças com defeito. Essa prática constrange desnecessariamente os operários, que se sentem humilhados.

Em períodos de greves, o assédio não acontece só no local de trabalho. Chefes telefonam para os trabalhadores em suas casas para obrigá-los a irem à fábrica. Ou vão pessoalmente buscá-los de carro, impedindo-os de participarem das assembleias e forçando-os a “furar” a greve. Até mesmo os familiares dos trabalhadores eram pressionados.

A Justiça do Trabalho condenou o comportamento da Eaton e determinou, caso a empresa voltasse a assediar os funcionários dessa forma, aplicação de multa de R$ 100 mil por cada ato praticado.

Com a palavra, os trabalhadores

Relatos verídicos de funcionários da Eaton para o Sindicato:

“Somos ameaçados pelos coordenadores diariamente para ter resultados de produção, humilhados com piadas sem graça e temos que aceitar. Os coordenadores fazem até papel de médico. Quando é entregue atestado em suas mãos, eles contestam o diagnóstico médico dizendo que o funcionário está em plenas condições de trabalhar.”

“Os coordenadores ligam para a casa de cada funcionário obrigando a entrar mais cedo no trabalho porque o sindicato vai fazer assembleia.”

“A prática de assédio é constante. Os funcionários choram em horário de trabalho. Depois dessas negociações de PLR, a Eaton diz que já tem o nome de funcionários que serão mandados embora por participarem da paralisação.”

O que diz o código de ética da Eaton:
“Estamos comprometidos em ser líder global na proteção da saúde e da segurança de nossos funcionários e na proteção do meio ambiente”.

A verdade: descaso com a saúde e segurança dos trabalhadores

O descaso com a saúde e segurança dos trabalhadores pode ser facilmente observado na Eaton, a começar pelos ruídos excessivos, óleo esparramado pelo chão da fábrica e maquinário velho.

Essas condições geram acidentes e doenças ocupacionais. Há milhares de ações judiciais trabalhistas contra a Eaton no Brasil.

Trabalhadores exigem respeito
- Pelo retorno dos dirigentes sindicais Marcelo de Santana (Formiga) e Ivan Cardoso e do trabalhador Edson Marcondes à fábrica.
- Pelo fim das práticas antissindicais e pela livre organização dos trabalhadores.
- Pelo respeito ao direito de greve.
- Contra a presença da Polícia Militar nas assembleias dos trabalhadores.

Modelo de moção pela reintegração dos dirigentes sindicais afastados pela Eaton de São José dos Campos

Vimos através desta exigir o imediato retorno ao trabalho dos metalúrgicos demitidos arbitrariamente pela direção da Eaton, em São José dos Campos (Brasil), em pleno desenrolar das mobilizações da Campanha Salarial 2015.

Após uma greve, realizada no dia 29 de setembro, que contou com violenta repressão da Polícia Militar comandada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), a direção da Eaton realizou uma série de ataques contra a organização dos trabalhadores, incluindo o “afastamento para apuração de falta grave” dos diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região Ivan Cardoso e Marcelo Formiga, além da demissão arbitrária do trabalhador lesionado Edson Marcondes, que tem estabilidade no emprego garantida na Convenção Coletiva da categoria.

Não restam dúvidas de que a atitude truculenta da empresa visa desmobilizar o conjunto dos trabalhadores, que estão em luta por reajuste salarial e ampliação de direitos.

Portanto, reivindicamos da direção da Eaton, em respeito ao direito de greve, a reversão de suas medidas arbitrárias e o imediato retorno ao trabalho dos companheiros Ivan, Marcelo e Edson.

Da mesma forma, queremos exigir do governador Geraldo Alckmin o fim da presença de destacamentos da Polícia Militar nas portas das fábricas para reprimir as mobilizações dos trabalhadores.

Pelo imediato retorno ao trabalho dos metalúrgicos demitidos pela Eaton!

Todo apoio aos metalúrgicos da Eaton!