Red Internacional de Solidariedad y de Luchas


Martes, 12 de diciembre de 2017

 
 

 

| França | O governo de Hollande tentou, mas não conseguiu enfraquecer a mobilização; Todos às ruas neste dia 17!

Portada del sitio > Sindicato > | França | O governo de Hollande tentou, mas (...)

Depois de manifestações que assustaram o governo francês no último dia 8, com mais de meio milhão de pessoas nas ruas dizendo não ao novo projeto de Lei do Trabalho, nesta segunda-feira (14) o ministro da Economia Manuel Valls tentou acalmar os ânimos e dar uma nova aparência ao projeto.

A verdade é que a articulação não passou de uma investida para amenizar os impactos da forte mobilização popular. As organizações mais combativas envolvidas na campanha pela retirada deste projeto de lei reconheceram a armadilha e continuam fazendo um chamado pelas mobilizações programadas para esta quinta-feira (17), rumo à greve geral marcada para o dia 31 de março.

Para Christian Mahieux, sindicalista da União Sindical Solidaires, parceira da CSP-Conlutas e que também compõe a Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, “a manobra do governo [desta segunda-feira] não passou de uma tentativa de apresentar a proposta inicial da lei com uma cara nova. Neste novo projeto, a estrutura lógica inicial ainda está presente, e esta tentativa foi duramente denunciada pela maioria das organizações dos movimentos sindical e da juventude”.

Assim como no Brasil, o capitalismo cai pesado nas costas da população. Segundo dados citados por Christian, são mais de seis milhões de desempregados e precarizados, enquanto acionistas faturaram 47 bilhões de euros em dividendos somente em 2015.

Ao lado do governo, os setores reformistas

Nesta segunda-feira, o ministro Manuel Valls esteve presente em um importante noticiário de televisão, para abordar as mudanças na lei, adotando uma aparente postura flexível. Representantes da UNEF (União Nacional dos Estudantes da França) que se reuniram com o ministro na última sexta-feira (11), declararam que “não houve nenhuma discussão real sobre as questões centrais do projeto”, e que por isso decidiram manter a agenda de mobilizações.

“Quando a repórter pergunta ao ministro do governo de Valls a respeito das manifestações contra a Lei do Trabalho, é assim (veja o vídeo) que ele reage:”

Mesmo com a previsão de novas manifestações, muito bem aceitas pela opinião pública - a cada 10 franceses, sete reprovam a proposta de lei – há organizações reformistas que enxergam com bons olhos a Lei. Para organizações como a FDT (Federação Democrática dos Trabalhadores), CFTC (Confederação Francesa dos Trabalhadores Cristãos) e CGC (Confederação Francesa de Técnicos), o projeto de Lei pode ser avaliado mais positivamente e mesmo significando um retrocesso nos direitos dos trabalhadores, estas entidades consideram que “os anúncios de Valls caminham na direção certa”.

Para Christian, “o que mais importa, para construir a luta, não passa pelo abandono nada surpreendente da CFDT ou da UNSA! [ Confederação Francesa Democrática dos Trabalhadores e Central Nacional de Sindicatos Autônomos] Já sabemos que a maior parte das confederações sindicais se recusa a falar em greve geral, em mobilização de continuidade, por uma luta que dure muito mais tempo. A mobilização se passa por outros campos de luta: as intersindicais locais não têm essa mesma relutância, há um chamado de sindicalistas da CGT, do Solidaires, FSU (Federação Sindical Unitária), CNT-SO, LAB, etc.; há uma petição em curso intitulada ‘uma resposta à ofensiva’, que destaca a ação pelo travamento da economia, e a necessidade do fortalecimento e da extensão das mobilizações para depois do 31 de março, para garantir a retirada do projeto de lei e assim sermos capazes de colocar em prática a ‘nossa contraofensiva’”.

Total apoio da CSP-Conlutas

A CSP-Conlutas, como parte da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, apoia a luta dos jovens, estudantes, sindicalistas e aposentados na França, e destaca a atuação da União Sindical Solidaires que se coloca como uma das organizações realmente combativas diante desta nova investida do governo de François Hollande.

Nós acreditamos que os ataques da patronal, em um momento de crise mundial, são os mesmos que os trabalhadores daqui enfrentam, e que para combatê-los, temos de construir pontes e firmar a luta de caráter internacionalista.

Nós, trabalhadores unidos do mundo inteiro, não pagaremos pela crise! No fim, nossa empreitada é definida como tem sido dito em francês a respeito da luta dos trabalhadores e da juventude na França: "On Vaut Mieux Que Ça", que para nós pode ser "A Luta Sempre Vale a Pena".

Fotos: Jean-Marie Le Guen - lelab.europe1,fr20minutes.fr, AFP e Solidaires