Réseau Syndical International de Solidarité et de Luttes


mercredi, 16 août 2017

 
 

 

| México | Ato de professores : Repressão brutal em Oaxaca deixa ao menos 9 mortos e mais de 50 feridos

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Ao menos nove pessoas foram mortas e mais de 50 ficaram feridas após repressão policial em manifestação de professores em Oaxaca, no México. O governo de Peña Nieto afirmou que os agentes do Estado não utilizaram arma de fogo, mas registros em vídeos, veiculados pela imprensa mexicana e nas redes sociais, comprovam o uso de armas com munição real e até mesmo disparos efetuados de um helicóptero.

Não se sabe ainda se os policiais são do governo do estado ou se são agentes federais. Houve detenção de ao menos 24 manifestantes e ativistas denunciam a violência absurda contra os que, em apoio ao movimento em defesa pela educação pública, liderado pela Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação – CNTE, estiveram nas ruas protestando, e até mesmo os moradores locais.

O ataque teve início por volta das 8 horas da manhã de domingo, em Nochixtlán, durante bloqueio de acesso a Oaxaca. A ordem, segundo a Telesur, foi contundente : “atirem para matar”. Segundo a população de municípios próximos a Oaxaca, o ataque foi brutal e feriu crianças, mulheres e civis que nem participavam das manifestações. O Hospital de Nochixtlán foi cercado por policiais que impediram a entrada de feridos que buscavam atendimento. O acolhimento dessas pessoas se deu em uma Paróquia, com paramédicos e voluntários.

No ataque, morreram lideranças do movimento e secundaristas. Dentre os já confirmados, estão Antonio Pérez García, estudante, Andrés Aguilar Sanabria, professor de Educação Indígena, Yalid Jiménez Santiago, do município de Santa María Apazco, Anselmo Cruz Aquino do município de Santiago Amatlán, Oscar Nicolás Santiago de las Flores Tilantongo, 22 anos, e Jesús Cadena, de apenas 19 anos, estudante do município de Nochixtlán. Um repórter local, Elpidio Ramos, que fazia a cobertura do confronto para o jornal regional El Sur, também foi morto. Outro jornalista, identificado como Iván Jojardín, da rádio Zapote, é um dos desaparecidos.

A população local se revoltou contra a violência, e ameaçaram incendiar a fazenda do prefeito Herminio Chávez Cuevas, que permitiu a ação repressiva da polícia. Antes mesmo dos graves acontecimentos de domingo, centenas de intelectuais, religiosos, estudantes, ativistas e organizações de direitos humanos assinaram um documento que condenou a “brutal repressão” exercida pelo governo mexicano contra os professores que denunciam o desmonte e a precarização da educação pública com a reforma da educativa do presidente Enrique Peña Nieto. A Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas e a CSP-Conlutas divulgaram notas de apoio e denúncias sobre a repressão contra os professores e estudantes lutadores no México

Peña Nieto implementou a reforma da educação em 2013, como parte de um conjunto de 11 reformas neoliberais propostas em seus primeiros meses de mandato. A controversa lei impõe avaliações obrigatórias dos professores, a fim de determinar quais candidatos serão escolhidos para preencher cargos abertos na rede pública de ensino em todo o país. A denúncia de movimentos, como a CNTE, é de que o processo serve apenas como justificativa para demissões em massa e não efetivamente avaliar a qualidade de ensino.