Réseau Syndical International de Solidarité et de Luttes


dimanche, 25 juin 2017

 
 

 

| Palestina | Por fora de sindicato pelego, professores da Palestina realizam greve histórica

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Em greve desde o dia 10 de fevereiro, professores palestinos realizaram mais uma manifestação na cidade de Ramallah, Cisjordânia. O protesto foi para forçar o governo da Autoridade Palestina a atender as exigências dos professores e reuniu mais de 10.000 pessoas.

Os professores lutam por aumento salarial e exigem que o governo cumpra um acordo assinado em 2013. Este acordo garante plano de cargos e salários, mudanças na legislação sobre aposentadoria, bônus baseado em períodos de experiências, e educação universitária de graça para os filhos de professores.

A média salarial de um professor palestino não ultrapassa 3.000 shekels (o que equivale a 3.040 reais) por mês. Para se ter uma ideia, a média mensal de gasto com aluguel em Ramallah está em torno de 1.370 shekels, quase a metade do salário de um professor.

Durante a manifestação professores e estudantes carregavam cartazes na manifestação com dizeres exigindo #Dignidade. Essa tem sido uma das palavras de ordem nas manifestações e piquetes.


Dignidade para os professores = Dignidade para a nação


Estudante carrega cartaz : Eu apoio a greve dos professores !

Repressão e bloqueios nas estradas

Na última terça-feira (16), ocorreu uma manifestação que contou com mais de 20.000 pessoas. Depois do protesto, 22 professores foram presos em represália e para a intimidação ao movimento. Os professores foram soltos no dia seguinte após protestos nas cidades.

O protesto desta semana só não foi maior porque o governo bloqueou os principais acessos da cidade de Ramallah. Em conversa com um professor, ele disse ser um absurdo anti-democrático bloquear o acesso dos manifestantes e que lamenta a Autoridade Palestina usar os mesmos métodos de “check-points” utilizados pelo exército de Israel.


Manifestação em Ramallah contou com milhares de professores e estudantes

Mesmo assim, mais de 10.000 pessoas se concentraram em frente à sede do governo para protestar. A manifestação também contou com a presença de estudantes. Mais atos estão sendo chamados nas cidades e a população em geral apoia a greve.

Imad Temiza, diretor do sindicato dos trabalhadores postais da Palestina disse que não se pode construir um país com dignidade sem professores bem remunerados. Esse é o sentimento geral da população na Palestina.


Imad Temiza, do Sindicato dos Correios de Hebron, e Herbert Claros, representando a CSP-Conlutas em visita à Palestina

A greve e o processo de reorganização

Com adesão de 95% dos mais de 35.000 professores a greve está sendo organizada a partir de comitês de base nas escolas e bairros.

A greve tem um significado importante por estar passando por cima da direção burocrática do sindicato ligado ao governo da Autoridade Palestina e ao partido Fatah.

O sindicato está sob uma mesma direção desde a década de 60. Os professores exigem novas eleições e denunciam que o presidente do sindicato nem exerce a carreira de professor.

O atual presidente do sindicato se opõe à greve e, após uma reunião com o governo, anunciou a renúncia ao cargo no sindicato junto com outros membros, que são do mesmo partido político do governo, o Fatah. Apesar da declaração, os professores dizem que isso pode ser jogo de cena.

A greve está sendo organizada pela base e pelas redes sociais sem o sindicato. Foi criado um comitê chamado Comissão de Coordenação, que foi eleito pelos professores da Cisjordânia. Uma das propostas deste comitê é tornar o sindicato mais democrático e eleger novos representantes em menos de dois meses.

Entidades de direitos humanos e a Federação Geral dos Sindicatos Independentes da Palestina, ligada a Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas (RSISL), estão apoiando a greve. Representando a CSP-Conlutas, estivemos presentes na manifestação com membros desta Federação.

A Central e a RSISL apoiam a greve dos professores e a luta do povo palestino !

Por dignidade !

Viva a greve dos professores palestinos !

Palestina livre !

Por Herbert Claros, direto de Ramallah, para a CSP-Conlutas